sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As palavras do/no poema

"DIANTE DA FOLHA BRANCA
[...]
Todo o poema é um tecido de relações
um corpo de palavras
e nesse corpo arde o desejo do corpo

O poema retorna sempre ao desejo inicial
insaciavelmente branco
incandescente
as palavras surgem renovadas
como se o poema as dissesse pela primeira vez
numa outra língua
mas é a mesma língua
de todos
um pouco mais nua
ardente
e branca"

António Ramos Rosa, O Centro na Distância

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