sexta-feira, 3 de junho de 2011

O teu livro

Li o teu livro, Amor, sofregamente;

Li-o, e nele em vão me procurei!

No teu livro d’amor não me encontrei,

Tendo lá encontrado toda a gente.

Um livro é a nossa alma, nunca mente!

Um livro somos nós, eu bem o sei…

E se em teus lindos versos não me achei

É que a tua alma nem sequer me sente!

As rosas do teu livro! As tuas rosas!

Rubros beijos de bocas mentirosas,

Desfolhaste-as por todas as mulheres!

Mas deixa, meu Amor, mesmo pisadas,

As tuas lindas rosas desfolhadas

Eu apanho-as do chão, se tu quiseres…

Florbela Espanca


Mesmo imperfeitas, as palavras são as nossas pétalas
Precisamos tocá-las explicá-las e compreendê-las.
Nem sempre o que parece é e mesmo o que é, é-o diferentemente em silêncio ou por palavras

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