"DIANTE DA FOLHA BRANCA [...] Todo o poema é um tecido de relações um corpo de palavras e nesse corpo arde o desejo do corpo
O poema retorna sempre ao desejo inicial insaciavelmente branco incandescente as palavras surgem renovadas como se o poema as dissesse pela primeira vez numa outra língua mas é a mesma língua de todos um pouco mais nua ardente e branca"
Escuta, escuta: tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém - mas quem é hoje capaz de salvar o mundo ou apenas mudar o sentido da vida de alguém? Escuta-me, não te demoro. É coisa pouca, como a chuvinha que vem vindo devagar. São três, quatro palavras, pouco mais. Palavras que te quero confiar, para que não se extinga o seu lume, o seu lume breve. Palavras que muito amei, que talvez ame ainda. Elas são a casa, o sal da língua.