sábado, 2 de novembro de 2013

Elogio

A ti que ousas 
grita a verdade, a tua verdade aqui e agora.
Chegará a tua consolação
Em breve
Germinará em terreno são
e vencerá 
Aquele silêncio
Podre

1 comentário:

Unknown disse...

Os passos dela ecoam suaves
(…) a planície branca metálica dos lírios impossíveis
dobrados como plantas de aço & mil caules tristes
com mil campânulas de sonho e abóbodas de céu.
Lá dentro dela
um mundo milagroso alado comburente
: e pétalas a crescer do amanhã na atmosfera rarefeita –,
e o impulso vertical no músculo das fibras redentor.
A sagração junto com o mistério das germinações incertas
: além terra e além-ar.

Os passos dela são, pois, a ressonância-guia que salva
e o ritmo-cantante que gera a beleza instante;
aquela certeza sonora e grave que mede inteira
a perfeição viva circundante
e as tragédias todo-claras dos poços de cristal.
Passos a traçar o espaço de um abismo dentro e a seguir
transparências com ânsias & espiral
mostrando a linha pressentida descendente que vai do céu ao inferno.

Luz paradoxal de trevas em ascensão;
do divino e do mortal e em qualquer direcção

Existe, entretanto, uma sabedoria extrema naquele passo todo-humano;
uma cadência consoladora quando ela incide tão íntima, tão inexorável,
revelando (in)visível o segredo proibido da eternidade
(que não é nenhum...).
Passos que insinuam o peso da terra e a gratuidade do peso da terra
a fazer caminho por dentro dela:
um atirar-se do alto do promontório interior e assinalar convulsivo
paisagens infinitas (…) quando então (…)
o som dos passos breves é o Grande Início da vida provável.