sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

lettera amorosa

Respiro o teu corpo:

sabe a lua-d’água

ao amanhecer,

sabe a cal molhada,

sabe a luz mordida,

sabe a brisa nua,

ao sangue dos rios,

sabe a rosa-louca,

ao cair da noite

sabe a pedra amarga,

sabe à minha boca.[1]



[1] Eugénio de Andrade, “Lettera amorosa” in Mar de Setembro, 1961.

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